CAPÍTULO 2

    E aqui estou eu, Eliz Martins, formada em jornalismo, com vários cursos e concursos em uma impecável graduação, na sede da Artigianale S.A., sentada na ante-sala, aguardando ser atendida pelo tão requisitado “Senhor Renard”… Ai, saco!

 

    O lugar é lindo, a organização dos funcionários é exemplar, a decoração do ambiente é impecável… Alguém tem fixação por organização. Será que ele tem TOC?

 

— Sério que estou reparando nisso? – resmunguei enquanto rabiscava em um bloquinho de notas em minha mão.

 

— Reparando no “Que”, senhorita Martins?

 

    Ao ouvir aquela voz, imediatamente me arrependi de estar ali distraída. Sem que eu notasse, ninguém menos que o próprio Jean Renard havia aberto a porta do escritório e se aproximado de mim, para me chamar para entrar. E tenho que fazer uma observação:

 

    ELE É UM GATO!

 

    É incrível como as fotos nas revistas de economia não lhe fazem jus. Ele deve ter mais de um metro e oitenta, só pode! Seus cabelos são de um tom negro reluzente e muito bem penteados, apesar de um pouco rebeldes. A pele clara faz os olhos se destacarem, pois são castanhos e cristalinos. O corpo… Ai, céus! Mesmo com o terno, da pra notar que ele não é nenhum pouco sedentário e deve ter aquele clássico “tanquinho” que faz a mulherada arfa. Mas vou ser honesta, são os lábios a real tentação nesse homem… Nunca vi lábios tão bem desenhados, carnudos e sedutores, que dão uma terrível vontade de beijar…

 

    Meu Deus! No que eu tô pensando???

 

— Senhorita? – repetiu ele ao reparar que eu não responderia se ele não me tirasse daquele estado de choque em que me colocou… Sim! A culpa é dele! Quem mandou ser tão gos… Ahh!

 

— Perdão! Eu estava admirando sua beleza… Quer dizer… Sua empresa… – e lá se vai o profissionalismo…

 

    Ele arqueou uma das sobrancelhas e me encarou com um estranho olhar curioso… Caramba! Isso o deixou mais lindo! Como é possível?

 

— E a que conclusão chegou? – perguntou ele sussurrando, com o rosto bem próximo ao meu.

 

    Controle! Mantenha a calma Eliz. Não pule em cima dele!

 

    Engoli em seco.

 

— Que preza pela organização e eficiência. – disse finalmente, comemorando por não ter dito merda – Eventualmente me questionei se não seria um sinal de que teria TOC.

 

    Ele deu uma curta risada.

 

    Será que ele tem noção do quanto é gato e sedutor? Deve ter, não é possível que não esteja fazendo isso de propósito.

 

    Ele estreitou os olhos e me encarou com um sorriso de canto divertido.

    Será que eu sobrevivo a essa maldita entrevista?

 

— Só porque prezo pela organização, é sinal de que possuo algum transtorno mental?

 

— De forma alguma! – respondi sem jeito, aproveitando a oportunidade para parar de olhar para ele – Apenas é o mais comum de se ver.

 

    Ele se aproximou ainda mais, ficando com a boca ao pé do meu ouvido, como se fosse contar um segredo.

 

— Vai perceber que não sou nenhum pouco comum… – sussurrou – Lhe aguardo em meu escritório. – ele então soprou em meu pescoço de uma forma que me arrepiou por completo.

 

    O que raios foi aquilo!

 

    Certeza que ele fez de propósito! Não é possível que tenha sido por acaso. Ele certamente é daquele tipo que leva todas pra cama, sem sombra de dúvida!

 

    Eliz! Se você tem apreço por sua reputação, fique longe desse galanteador!

 

    Ele retornou para o escritório e deixou a porta aberta para que eu entrasse.

Definitivamente eu não devia entrar. Ele certamente vai jogar aquele charme pra cima de mim e me levar pra dormir com ele, e do jeito que to na seca, é bem provável que eu aceite…

 

    Não mulher! Seja forte! Você é uma profissional! Não o deixe te dominar!

 

— Senhorita Martins? Tenho um compromisso daqui duas horas. Se continuar ai parada, talvez não consiga concluir sua entrevista. – disse ele apoiado no portal de sua sala, me encarando de braços cruzados, com a maior serenidade do mundo.

 

    Eu to perdida!

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