CAPÍTULO

6

A IKIHATSUNUKISHISEN DA ÁGUA

Passaram-se 301 anos desde o pior caso de traição em Nairin no despertar há 335 anos. Nesse período o planeta passou por um árduo processo de reconstrução, devido a um ataque alienígena. Nesses pouco mais de 300 anos, Nairin se mostrou muito bem reerguida na TERRA CENTRAL e era onde se encontrava todo sistema de monitoramento e defesa espacial. Estava tudo pronto para qualquer nova ameaça vinda além das estrelas. 

O sistema estava espalhado por toda Nacturus, que detectaria de longe e em tempo real toda ameaça e já ativaria a primeira linha de combate no espaço com seus super drones espaciais de neutralização alienígena hostil.

Algumas TERRAS decidiram recomeçar de forma simples, sem muita tecnologia. Outras aceitaram ajuda da TERRA CENTRAL para se reconstruírem. As que recebiam ajuda eram atendidas de diversas formas. A mais comum era a ajuda DIRETA, onde nairinianos especializados iam e ofereciam serviços de saúde, engenharia, fornecimento de tecnologia ou recursos. 

Na TERRA NEATRY uma bela jovem nairiniana vinda da TERRA CENTRAL e de origem da TERRA MOORKKETRIV, prestava serviço de saúde para a população de um vilarejo local. 

Muitas das doenças de Nairin, antes do último ataque dos Specrenerkrihihz, eram praticamente controladas e catalogadas com cura para 95% delas, mas depois da hibernação e abandono do planeta por mais de 4 mil anos a vida que restou, evoluiu e muitas novas doenças surgiram depois do repovoamento do planeta. 

Essa bela jovem, que prestava serviço de atendimento de saúde, se chamava Lillillah. Um novo chamado foi solicitado próximo a esse vilarejo que ela se encontrava e imediatamente Lillillah foi atender. Chegando ao local, ela se deparou com uma única habitação, entretanto,  encontrou um velho muito doente e sua filha que tinha solicitado o atendimento. 

A filha explicou todos os problemas do seu pai doente, Mistrunihik, para Lillillah e logo ela iniciou os procedimentos para melhor medicá-lo. Era uma doença rara, bem agressiva e sem cura. O velho não teria muito tempo. Lillillah passou todo o relatório para a filha e quando voltava para falar com o pai dela, uma caixa na prateleira bem do lado dela emanou uma luz azul bem fraca, mas que foi percebida pelo velho doente. Mistrunihik ficou surpreso e pediu para Lillillah pegar a caixa. Quando ela pegou,  a mesma aumentou o seu brilho. Algo dentro da caixa que estava emanando essa luz azul. Lillillah espantada perguntou ao senhor Mistrunihik:

— O que é isso?

— Não tenho certeza do que se trata, mas acho que você é a resposta que meu pai e avós tanto procuraram —  respondeu o velho, com a voz muito cansada.

— Resposta para o que, senhor Mistrunihik? Do que o senhor está falando?

— Meu falecido avô dizia que o objeto dentro dessa caixa seria a resposta para o que aconteceu há muito tempo, quando voltamos para Nairin. Ele era da Tropa de Segurança da TERRA CENTRAL. Ele era daqui e foi pra lá quando achou que não foi feito para conviver com nossa cultura. Mas ele acabou voltando, depois do ataque à TERRA CENTRAL e fuga dos dois Ikihatsunukishisen, e trouxe esse objeto que está na caixa.

Lillillah abriu a mesma e viu um pequeno cristal em uma forma bruta. Ela pegou e o objeto se transformou em uma pequena esfera azul. De repente, se transformou novamente e virou uma espécie de lança que começou a escorrer água. 

Ela ficou assustada e deu um grito. A filha do senhor Mistrunihik entrou correndo no dormitório onde eles estavam e se deparou com Lillillah segurando um cristal em forma de esfera azul, o quarto todo cheio de água e seu pai desacordado. Ela foi até o pai e tentou acordá-lo, mas parecia que ele já estava morto. A filha do senhor Mistrunihik virou-se para Lillillah e exigiu explicações. Lillillah depois de alguns instantes paralisada com o ocorrido, respondeu:

— Eu não sei o que aconteceu. Só abri a caixa que seu pai me mandou pegar.

As duas olharam fixamente para o cristal azul esférico que estava nas mãos de Lillillah. A filha do senhor Mistrunihik olhou nos olhos dela.

— Meu pai e meu avô sempre falaram desse cristal na caixa. Meu avô era mais obcecado e sempre dizia que isso seria a resposta para tudo, mas eu nunca soube qual era a pergunta. De alguma forma isso reagiu a você. Será que você era a resposta que eles tanto procuravam?

A filha do senhor Mistrunihik tinha ficado assustada de ter achado o pai morto depois do grito de Lillillah, mas logo ela entendeu que seu pai havia partido devido à doença avançada. Ela achou que a emoção foi demais para o pai quando ele viu o cristal reagir à Lillillah.

— O que você vai fazer? —  perguntou Ninitrik, filha do senhor Mistrunihik.

— Não sei, mas acho que devo encontrar essas respostas que eles tanto procuravam.

Lillillah providenciou o sepultamento do senhor Mistrunihik e tentou arrancar mais informações de Ninitrik, mas ela não sabia muito a respeito, pois sempre ignorava o pai e o avô quando eles falavam disso. Esse assunto havia desestabilizado a família por muitos anos e Ninitrik odiava isso. 

A única informação que ela conseguiu foi que ninguém podia saber da existência desse cristal e um endereço que o senhor Mistrunihik sempre frequentava, como se estivesse esperando ou querendo ir para algum lugar. Lillillah se despediu de Ninitrik e foi atender a um novo chamado de emergência, levando consigo o cristal no pescoço como um colar por debaixo do traje. Ela atendeu o novo chamado, na TERRA ALLEHUTRY,  que era um caso simples de fratura, mas por estar nervosa com o que tinha acontecido, falhou em partes do procedimento de atendimento. 

Ela finalizou o serviço ainda mais nervosa e foi embora. Lillillah parou num local bem isolado, à beira de um rio e olhou a correnteza. Era o endereço onde o senhor Mistrunihik ia esperar por algo ou ir para algum lugar. Ela pegou o cristal que parecia estar molhado, mas não molhava e ficou observando fixamente por minutos. Ela se lembrou dos pais que haviam morrido numa tragédia e apertou o cristal com força, que logo em seguida, se transformou na mesma lança que havia surgido na casa do velho Mistrunihik. 

Lillillah ficou assustada e apontou a arma para o rio. O percurso da água parecia acompanhar a direção que a arma era apontada. Ela atacou a água da beira do rio com a arma e uma forte enxurrada foi até a outra beira derrubando várias árvores. Lillillah ficou ainda mais assustada com o que estava acontecendo e de repente, atrás dela, surgiu uma voz dizendo:

—  Como esperei por essa oportunidade.

Ela se virou apontando a arma para direção que a voz vinha e de trás das árvores surgiu um nairiniano ancião que perguntou:

— Qual é o seu nome, minha jovem?

— Lillillah — respondeu ela, com um olhar de preocupação.

— Hum. Interessante. Tem uma proposta para você. Entregue-me essa arma e não te denunciarei para a TERRA CENTRAL.

Lillillah ficou nervosa, deu uns passos para trás e quase caiu no rio.

— Não tem para onde fugir. Entregue-me essa arma e pouparei sua vida.

Ela viu que o tom de voz do velho mudou após a ameaça e apontou a arma para ele em posição de ataque.

— Quem é você? Por que quer tanto isso? —  gritou Lillillah, nervosa.

O velho puxou uma arma a laser e atirou em Lillillah. Ela se defendeu usando sua arma elemental, manipulou a água do rio e a jogou na direção do ancião. O velho caiu e logo se levantou todo molhado dando risadas.

— Vou ter que ser mais agressivo com você, maldita Ikihatsunukishisen.

Ele se transformou em uma criatura selvagem e partiu para o ataque contra Lillillah. Um combate intenso aconteceu e com muito custo ela conseguiu abater a criatura que caiu, voltando à aparência do velho. O corpo do ancião começou a derreter e um cristal meio alaranjado quase vermelho surgiu como se tivesse dentro do corpo dele. Logo em seguida o cristal se pulverizou. Ela desmaiou e ficou desacordada por horas. 

Lillillah acordou e viu o cristal em forma de esfera azul na sua mão.

— Como? Isso é o famoso Ikihatsunukishi? Não posso ser uma Ikihatsunukishisen! Se me pegarem com isso serei…

Ela se levantou sentindo um pouco de dor. Lillillah apertou o cristal com raiva e arremessou no rio. Ela caminhou de volta para USaM, mas foi surpreendida por um Oryxullan. A fera a encarou e antes que o animal a atacasse, uma luz surgiu do nada e ofuscou sua visão.

Quando a visão de Lillillah voltou, ela viu a fera indo na direção de um garoto que surgiu de repente.

— CUIDADOOO! — gritou Lillillah, confusa.

O Oryxullan com um dos seus enormes chifres afiados, atravessou o frágil corpo do menino misterioso que surgiu da luz.

4.7
Rated 4.7 out of 5
4.7 out of 5 stars (based on 12 reviews)
Excelente67%
Muito bom33%
Média0%
Ruim0%
Muito ruim0%

Ótimo início.

Rated 5 out of 5
29 de outubro de 2022

Adorei como o autor escreve e como é dinâmico os acontecimentos do livro.

O primeiro capítulo ficou ótimo.

Sullivan

Bom Ate

Rated 4 out of 5
18 de agosto de 2020

Ate o Momento esta bem legal nao tenho costume de ler mas este esta me mantendo

Marcelo

Fácil

Rated 4 out of 5
17 de agosto de 2020

Muito fácil de ler e entender

Eudimar

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