MONKEY D. LUFFY É UM DOS MAIORES EMPREENDEDORES DO MAR

MONKEY D. LUFFY É UM DOS MAIORES EMPREENDEDORES DO MAR

One Piece é uma das séries de mangá e anime mais populares do mundo, com um público fiel e uma história envolvente que inspira a determinação e o empreendedorismo em muitos fãs.

O protagonista da série, Monkey D. Luffy, sonha em se tornar o próximo Rei dos Piratas e encontrar o tesouro lendário One Piece. Ele enfrenta muitos desafios e obstáculos no caminho, mas nunca desiste de seus sonhos e sempre busca maneiras de superá-los.

O mesmo vale para o empreendedorismo. Se você tem um sonho de ter seu próprio negócio, é preciso estar disposto a enfrentar obstáculos e superá-los. É preciso determinação para alcançar o sucesso, assim como Luffy mostra a cada episódio.

A primeira lição que podemos aprender com One Piece é a importância de ter um objetivo claro. Luffy sabe exatamente o que quer: encontrar o One Piece e se tornar o Rei dos Piratas. Ele não se distrai com outras coisas, mesmo quando são tentadoras, e mantém o foco em seu objetivo final.

Outra lição que podemos aprender com a série é a importância de ter coragem. Luffy e sua tripulação enfrentam inimigos poderosos, e muitas vezes são colocados em situações perigosas, mas eles não se intimidam encarando com tudo e, mesmo com as derrotas, vão seguindo em frente.

Para empreendedores, isso significa ter coragem de tomar decisões difíceis, arriscar e sair da zona de conforto. É preciso ter coragem para se colocar em posição de vulnerabilidade, e estar disposto a enfrentar os desafios que o empreendedorismo traz.

Além disso, a série também destaca a importância de ter uma equipe unida e trabalhar em conjunto. Cada membro da tripulação de Luffy tem seus próprios talentos e habilidades únicas, e juntos eles formam uma equipe forte e eficiente. No mundo empreendedor, ter uma equipe diversa e trabalhar em conjunto é crucial para o sucesso de um negócio.

Para empreendedores, assim como para Luffy e sua tripulação, o caminho do sucesso não será fácil, e é comum encontrar desafios difíceis de enfrentar pela trajetória, contudo, é preciso ter resiliência para continuar lutando, mesmo quando as coisas parecerem impossíveis.

Ficha Técnica

One Piece

Ano: 1987

Autor: Eiichiro Oda

Editoração: Shueisha

Nacionalidade: Japão

Gênero: Aventura, Fantasia, Drama

NAIRIN | CAPÍTULO 11

CAPÍTULO

11

O ESPIÃO

— Não vou repetir! Larguem suas armas, agora!

O líder Hankyater que capturou Lillillah e Drihee abaixou sua arma e se aproximou cautelosamente do outro líder Hankyater.

— Afaste-se!

Ele olhou para um dos seus parceiros e acenou com a cabeça rapidamente. O líder do grupo Hankyater HKY17VH, percebeu e acionou o gatilho. O laser acertou o braço de Lillillah. O grupo dos Hankyaters HKY14VR reagiram rapidamente. Drihee puxou Lillillah pelo braço e se jogou no chão com ela para não serem atingidos. Jogaram seus Ikihstunukishi na frente deles e Drihee sem pensar muito, pegou e ativou seu Ikihatsunukishi.  Ele lançou uma rajada de fogo que dispersou os grupos de  Hankyaters, mas o tiroteio continuou. Ele aproveitou a oportunidade para se afastar com Lillillah. Drihee entregou para Lillillah seu Ikihatsunukishi que ativou. Ela tentou usar, mas a lança caiu e se transformou novamente numa esfera de cristal.

— Não consigo — disse Lillallah, reclamando da dor no braço.

Ela se abaixou e pegou o Ikihatsunukishi desativado. 

— Vamos! Vamos sair daqui! — disse Drihee, desesperado. 

Um Hankyater do grupo HKY17VH apontou sua arma para a cabeça de Lillillah. Quando Drihee percebeu, um disparo acertou o inimigo. Ele tentou ver da onde veio o tiro, mas o próprio fogo que lançou, ofuscava sua visão do que estava acontecendo ao redor.

Drihee pegou na mão de Lillillah e continuou tentando se afastar. 

— AHHHH — gritou Lillillah, que desequilibrou logo em seguida por causa de um tiro na perna.

Drihee tentou segurá-la, mas ela caiu de lado.

— AHHHH, DROGAAA! — gritou Drihee.

Ele deixou o seu Ikihatsunukishi cair e o mesmo desativou.

— De onde veio esse tiro? — questionou ele, olhando para todos os lados. — Idiota — disse para si mesmo.

Drihee se aproximou de Lillillah.

— NÃO! Como tudo isso chegou a esse ponto? — questionou ela, chorando.

— Você consegue se mexer? Vamos, vou te ajuda a levantar.

Ele com muito esforço conseguiu ajudá-la a se levantar.

— O seu Ikihatsunukishi ali no chão. Pegue! — disse Lillillah.

— NÃO! Vamos sair daqui!

Ela o empurrou.

— Você é idiota! Não podemos deixar isso cair em mãos erradas! — disse ela indo pegar o cristal.

Lillillah caiu de joelhos próximo ao Ikihatsunukishi de Drihee. Ele tentou ajudá-la, mas um Hankyater se aproximou apontando sua arma para a cabeça dela.

— Venham, me sigam — disse o Hankyater.

— Como assim? — questionou Lillillah, confusa.

Ela pegou o Ikihastunukishi de Drihee. Ele, sem perder tempo, ajudou Lillillah a se levantar. 

— Me acompanhem! — ordenou o Hankyater, atirando em direção a outro grupo de Hankyaters.

— O que está fazendo? Por que vai segui-lo? — questionou Lillillah para Drihee.

— Não sei. VAMOS! Não temos escolha. Você vai acabar morrendo se ficarmos aqui!

— Não devemos…

Drihee a puxou pelo braço. Ela não conseguiu caminhar.

— Está doendo muito.

O Hankyater se aproximou dela e a injetou algo.

— Vai te ajudar a segurar a dor. Vamos!

— Vamos Lillillah — disse Drihee, ajudando ela a caminhar.

Eles acompanharam o Hankyater que atirava para todos os lados.

— Alí. Vão para aquele drone — ordenou o Hankyater.

— O que está havendo? Por que está nos…

O Hankyater foi atingido nas costas e caiu de joelhos.

— VÃOOOO! AGORA! — gritou o Hankyater.

— Vamos te ajud…

— VÃOOOOO! — ordenou o Hankyater se levantando.

Eles sem muitas alternativas seguiram para o drone. Os dois entraram e o mesmo foi acionado. Eles levantaram voo.

— Não era para ter confiado — disse Lillillah, irritada.

— Não tínhamos escolha. Você não ia se salvar.

— A gente não vai se salvar. Para onde estamos indo?

O drone se deslocava em alta velocidade. Lillillah olhava pelos visores, para tentar ver onde estavam. Drihee foi para um canto e sentou.

— Dói muito — disse ele com a mão no braço ferido. — Como você está? Você está muito machucada.

Lillillah o ignorou e continuou tentando ver para onde estavam indo.

— Droga Lillillah — disse Drihee se levantando.

— Estamos parando.

— Lillillah. Relaxa! Você está muito ferida. Não sente dor? — questionou Drihee tocando no ombro dela.

— Parece que estamos entrando em algum lugar.

Drihee tentou olhar pelo visor que Lillillah olhava com toda atenção.

— Que lugar é esse? 

— Não sei. Paramos! Vamos! — disse Lillillah.

— Lillillah, calma. Como você está? E a dor? — questionou ele indo atrás dela.

A porta do drone se abriu. 

— Quem é? Drihee! O Ikihatsunukishi — disse Lillillah ativando o seu.

Ela jogou o dele e ele tentou pegar com o braço ferido, mas acabou deixando cair.

— Sejam bem-vindos, Ikihatsunukishisen. Não somos inimigos.

— Quem é você? Se afaste! — ordenou Lillillah.

— Lillillah, estou sem forças — disse Drihee, depois que pegou o seu Ikihatsunukishi.

— Sei que estão confusos, mas podem confiar, não somos inimigos, pois se fossemos, vocês já estariam mortos.

— Vocês? Eu só vejo você. Nos libertem, AGORA — gritou ela, irritada.

— Lillillah, calma.

A visão dela começou a falhar.

— As coisas fugiram um pouco do controle, mas agora vamos acertar os planos. Ela precisa vê-los. Vocês devem descansar — disse o desconhecido se aproximando deles.

— AFASTE-SE! Ago… ra…

Drihee tentou segurar Lillillah, mas o desconhecido foi mais rápido e a impediu de cair. O Ikihatsunukishi dela desativou.

— Pegue a arma dela. Ela vai ficar bem. Vocês precisam descansar. Me acompanhe.

Outros desconhecidos se aproximaram com uma maca flutuante para ajudar a carregar Lillillah.

— Sei que não temos alternativas, mas o que querem com a gente? Quem é você? Quem são vocês? — questionou Drihee.

— Me chamo Lenkiphah e acreditamos que seus antepassados não foram traidores. Estávamos planejando há muito tempo por uma busca de respostas internas e até além das estrelas, mas não esperávamos vocês aparecerem de repente. Ela vai ficar surpresa com a presença de vocês.

— Como assim? Quem?

— Vamos. Temos muito que conversar, mas agora precisam descansar.

***

— O que faremos com os sobreviventes, senhor?

— Eliminem — ordenou o líder do grupo Hankyater HKY17VH.

— Sim senhor!

— E você! Devia eliminá-lo também, mas temos que ter uma conversa e espero sua colaboração — disse o líder do grupo Hankyater HKY17VH apontando sua arma para a cabeça do líder do grupo Hankyater HKY14VR.

Um outro integrante do grupo se aproximou.

— Senhor! Encontramos esse robô drone.

— Conseguiram rastrear o operador?

— Não senhor. Pela análise preliminar, identificamos uma criptografia de alto nível.

— Levaremos para a base. Lá talvez conseguimos rastreá-lo.

— Mas se for uma isca para nos rastrear?

— Espero que seja, pois estaremos preparados para recebê-los.

4,6
Rated 4.6 out of 5
4.6 out of 5 stars (based on 11 reviews)
Excelente64%
Muito bom36%
Média0%
Ruim0%
Muito ruim0%

Ótimo início.

Rated 5 out of 5
29 de outubro de 2022

Adorei como o autor escreve e como é dinâmico os acontecimentos do livro.

O primeiro capítulo ficou ótimo.

Sullivan

Bom Ate

Rated 4 out of 5
18 de agosto de 2020

Ate o Momento esta bem legal nao tenho costume de ler mas este esta me mantendo

Marcelo

Fácil

Rated 4 out of 5
17 de agosto de 2020

Muito fácil de ler e entender

Eudimar

CAPÍTULOS

OS IRMÃOS DO GELO | CAPÍTULO 2

CAPÍTULO

2

A BUSCA

ROMEO

Não acreditei no que vi. Meu irmão Roger com uma faca nada normal. Havia ouvido um barulho estranho vindo do quarto dele! Quando saí do meu quarto, eu o vi através da porta entreaberta do seu, fazendo uns movimentos estranhos com aquela arma. Saiu um forte ar gelado do quarto dele, como se o ar-condicionado estivesse ligado a 32°F, o que fez a porta bater. Minha vontade era entrar e saber o que estava acontecendo, mas não tive coragem.

No começo, quando vim morar com Roger e o papai, eu ainda estava meio assustado e ao mesmo tempo feliz por saber que tinha uma família. Depois que descobri isso, sempre me vinha a pergunta de como fui parar no orfanato e perguntava ao nosso pai, mas ele também não sabia responder. Papai nunca imaginara que tivera filhos gêmeos. As respostas eram poucas e a única coisa que ele me dizia era que a mamãe havia morrido no parto.

Voltei para meu quarto e fiquei por um tempo imaginando mil coisas. Ouvi meu irmão saindo do seu. Mas o que eu deveria ter feito? Ir até lá para saber o que ele estava planejando? Ele já não falava comigo e não falaria de jeito nenhum depois da briga que tivemos ontem. Aquela havia sido a pior de todas as brigas que já tivemos. Nunca pensei que chegaria a esse ponto com meu irmão, mas a raiva foi maior com o que ele fez e sempre faz com Desirée.

Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que não deixaria Roger se meter em encrencas. Apesar de não ter nada em comum com ele, no fundo gostaria somente de ser aceito do jeito que sou. Eu deveria deixar as brigas de lado e ir lá falar com ele.

Saí do meu quarto e o procurei pela casa, mas ele não estava. Vi seu bilhete na geladeira que dizia:

 

Fui à New York para a casa do vovô Charles. Estarei de volta no fim de semana.

 

Roger

 

— O que ele foi fazer na casa do vovô? O que está planejando?

Ele quase não se comunicava com a gente, muito menos nos convidava para visitá-lo. Vovô gostava de ficar sozinho e detestava ser incomodado.

Saí correndo para tentar alcançá-lo, abri a porta de casa e:

— Desirée?!

— Oi, Romeo. O Roger está aí?

— Não, ele saiu. Ele foi para casa do nosso avô em New York.

Desirée começou a chorar. Sem saber o que fazer, entrei com ela e lhe ofereci um copo d’água.

— Fui muito dura com ele. Por isso que ele foi embora.

— Para com isso, Desirée!

— Ele saiu e só me mandou uma mensagem. Nem se despediu pessoalmente de mim.

— Você se importa de eu ver a mensagem?

— Claro que não, pegue.

Peguei o DS-Tab Phone de 6” dela. Por um segundo me distrai com a super tela fina de 8k. DS-Tab (Direct Screen-Tablet) era uma tela que recebia sinal de vídeo entre outros da sua Central Smart Box (CSB) por meio da conexão sem fio Wi-Div (Wireless- Direct Instant Video) em até trezentos metros ou on-line via Wi-Fi ou 6G. CSB era uma pequena caixinha que guardava todo hardware de processamento, armazenamento, alguns sensores e conexões. Foi uma ideia genial e um tanto contraditória que mudou o mercado de telefonia e computação móvel. Você tinha na sua CSB todo o hardware e software que se mantinham mais seguro em um único lugar e só andaria em mão com os DS-Tabs que existiam de vários tipos e tamanhos que variavam de 3’’ a 410’’. Se quebrasse um era só comprar outro que nada dos seus dados e sistemas seriam perdidos. Muitos tinham mais de um DS-Tab para diversos tipos de ocasiões. Uns específicos para leitura, outros para jogos ou edições de vídeo. Era possível conectar vários DS-Tabs simultaneamente a uma única CSB. A vida ficou muito mais prática com isso e não precisava trocar de aparelho constantemente como era antigamente no tempo dos smartphones. Isso tudo me fascinava.

Me voltei à situação e comecei a ler a mensagem:

 

Meu anjo, algo de estranho está acontecendo comigo. Preciso encontrar respostas. Estou indo pra NY. Não sei se volto. Te amo e feliz aniversário.

[3:15 PM]

 

— Aquele maluco! — pensei.

Fui até a geladeira disfarçadamente para pegar mais água e tirei o recado que Roger colocou na porta para não piorar ainda mais as coisas.

— Não chore mais, Desirée. Ele está fazendo tudo isso para poder te dar o melhor.

— Será?

— Acredite nele. E mais uma coisa. Feliz aniversário! Não vamos deixar esse dia passar despercebido. Vamos sair para comer alguma coisa.

— Acho melhor não, Romeo. Não estou nos meus melhores dias.

— Anime-se! Vamos?

— Não sei.

Com muito esforço, eu a convenci. Não poderia deixar seu aniversário ser um péssimo dia. Me arrumei e passamos em sua casa para que ela pudesse se arrumar também. Parecia que havia ficado horas esperando na porta da casa dela, mas cada segundo de espera valeu a pena, pois ela estava linda. Seu momento de arrumação só fez realçar ainda mais sua beleza.

Estendi o braço para ela e saímos, mas ainda muito preocupado com Roger, pois já estava anoitecendo.

Pedi uma condução pelo aplicativo, que por sinal chegou bem rápido. O transporte rápido nos levou até um restaurante, não muito chique, mas com uma ótima comida. Sentamos numa mesa no segundo andar que nos dava uma visão para rua. O pedido era feito numa mesa interativa que mostrava o cardápio e em alguns dos casos dava para se ver o processo de preparo da refeição ao vivo. Havia até uma conta de streaming de vídeos que poderia ser acessada gratuitamente caso quisesse acompanhar sua série preferida enquanto degustava a saborosa comida do restaurante. Discretamente peguei meu DS-Tab Phone de 5.2, invadi a rede do restaurante e com uma pequena manobra consegui o contato do gerente que estava no balcão mexendo no seu DS-Tab Work. Mandei uma mensagem para ele.

 

Desculpe-me o incômodo, mas seria possível no final da nossa refeição nos trazer um bolo? Mesa 16. É aniversário da senhorita que me acompanha e queria lhe fazer uma surpresa. Obrigado.

[6:42 PM]

 

O gerente olhou para mim assustado. Achei que ele iria chamar a polícia por causa da minha atitude de invadir a rede privada do estabelecimento sem autorização e com isso, imediatamente mandei outra mensagem notificando-o sobre as falhas de segurança do sistema deles. O gerente voltou a me olhar com uma cara de desconfiado, mas confirmou por mensagem que atenderia ao meu pedido.

Em pouco tempo foi chegando o que pedimos e começamos a comer. Observei que conforme Desirée comia a tristeza em seu rosto começava a sumir. Queria poder dizer tudo o que tinha visto sobre Roger, mas nem eu compreendia o que estava acontecendo.

— Romeo?

— Fala, Desirée.

— Nunca entendi o porquê de você e seu irmão não se falarem. Ele te acha um garoto muito misterioso, mesmo sendo irmão gêmeo dele.

Não sabia o que responder para ela. Eu também não sabia o real motivo de não nos falarmos. Sempre tivemos nossas brigas. Achava ele um exibido cheio de amigos. Talvez tudo fosse simplesmente ciúmes por eu não ter tido tudo que ele teve antes.

— Na verdade, Desirée, eu também não sei. Deve ser pelo fato de eu ser muito tímido e não estar acostumado a ter um irmão gêmeo.

— Mas comigo você não é tímido. É gentil e atencioso. E também sempre aparece quando eu mais preciso.

Fiquei sem palavras pelo que ela disse sobre mim. Dei um sorriso e continuei comendo.

Segundos se passaram no silêncio e logo Desirée disse:

— Me fale sobre você. Já nos conhecemos há um tempo e não sei quase nada sobre você. O que fazia antes de ir morar com seu irmão? Pelo que eu sei você veio de um orfanato.

Mais uma vez não sabia o que dizer. Não tinha muitas lembranças boas até sair do orfanato.

— Eu não tenho muita coisa para dizer sobre mim. Só posso dizer que foram tempos difíceis e solitários no orfanato.

— Hum! Então ok! A comida está ótima! — disse Desirée, tentando mudar de assunto.

Senti que ela não quis ir mais a fundo sobre meu passado, que por um lado foi tranquilizador para mim, pois não me sentia confortável em falar sobre a solidão que passei naquele lugar.

No fim da refeição, que estava maravilhosa, percebi que Desirée olhava toda hora para seu Tab P como se estivesse aguardando uma resposta de alguém. De longe vi o garçom acenando para mim. Ele queria saber se já poderia levar o bolo. Olhei para ele e acenei com a cabeça dizendo que sim. Desirée olhou para mim e perguntou:

— O que foi, Romeo?

— Nada, Desirée.

Eu dei uma risada. Ela olhou para trás e antes que percebesse, o garçom se escondeu. Logo em seguida, ele bem devagar trouxe um bolo cheio de velinhas e começou a cantar…

— Parabéns para você…

A feição de vergonha e ao mesmo tempo de felicidade dominava seu lindo rosto. Ela olhou para mim:

— Você é maluco, mas obrigada!

O garçom colocou o bolo sobre a mesa e Desirée apagou as velinhas. Ela agradeceu e nós saboreamos o delicioso bolo de chocolate.

— Não sei o que dizer, Romeo!

— É o seu dia, aproveite!

— Obrigada, você é mesmo fantástico!

Ficamos mais alguns minutos. Agradeci ao garçom com uma boa gorjeta, transferindo direto para conta dele. Ao invadir o sistema, eu havia conseguido todos os dados dos funcionários.

Na recepção, cumprimentei o gerente e ofereci um serviço de graça para melhorar o sistema da mesa de pedidos e interatividade.

Após sairmos do restaurante, fomos caminhar e aproveitei esse tempo para conversarmos um pouco. Passados uns minutos pedi um transporte rápido que nos levaria para casa.

Chegando à porta da casa de Desirée, dispensei o motorista, pois eu não morava tão longe dela.

Ao nos despedirmos, Desirée aproximou-se de mim, me dando um abraço e agradecendo o que eu havia feito nessa noite, por fim, me deu um beijo na bochecha.

Sem percebermos, os nossos rostos estavam cada vez mais próximos um do outro e num relance, nos fez voltar a realidade. Desirée começou a chorar.

— Me desculpe, Romeo! E mais uma vez, obrigada. Boa noite!

— Boa noite!

Percebi que ela estava lembrando do Roger. Eu queria lhe dizer sobre tudo que pensava, mas eu não podia culpá-la por gostar do meu irmão.

Afastamo-nos, ela se virou e entrou. Voltei para casa pensando no sofrimento de Desirée e no que o Roger poderia estar fazendo.

Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto.

— Roger! Tenho que descobrir o que ele foi fazer na casa do vovô.

Peguei meu Tab P para fazer uma chamada de voz e falar com vovô, mas já era muito tarde e ele não gostava de ser incomodado. Eu até pensei em mandar mensagem, mas vovô não gostava dessas coisas. Na verdade, ele odiava o mundo moderno e suas tecnologias.

Fui aos contatos, selecionei o meu irmão e digitei uns emoji de carinhas com raiva e em seguida um pequeno texto que perguntava se estava tudo bem e se tinha chegado bem na casa do vovô. Olhei para a mensagem revisando o que havia acabado de escrever, mas desisti e apaguei tudo. Sem querer mandei umas carinhas com raiva para ele.

— Que merda que fiz! — pensei, aborrecido.

Ia apagar, mas deixei. Esperei uma resposta olhando fixamente para a tela e me assustei com o toque de uma nova mensagem. Pensei que era Desirée, mas quando olhei com mais atenção vi que era uma mensagem do:

— Vovô Charles!

Abri a mensagem que dizia:

 

Olá. Roger já chegou aqui. Boa noite.

[9:47 PM]

 

Como poderia? Vovô estava mandando mensagem. O que isso quer dizer? Tudo estava muito suspeito. Minha vontade era de sair naquele momento e ir até lá para saber o que realmente estava acontecendo. Ainda estava inconformado por Roger estar por aí portando uma espécie de faca estranha e agora essa do vovô, contudo estava muito cansado. Joguei o Tab P na cama e fui para o banheiro.

Depois de um bom banho e já deitado não parava de pensar nas coisas que estavam acontecendo. Meus olhos ficaram cada vez mais e mais pesados…

Crianças brincavam e eu queria brincar também. Me aproximei e elas de repente se afastaram. Era noite e estava deitado na cama com medo. Olhava para os lados e via mais camas, só que estavam vazias. Olhei para o teto e via as estrelas. Vi uma estrela cadente e fiz um pedido:

— Não me deixe sozinho!

Segui sem rumo tentando achar algo. Vi uma luz no final. Corri até ela, mas nunca alcançava o fim. Olhei para luz e vi alguém me chamando e dizendo para eu não parar. Eu corri sem parar, mas caí. A voz dizia:

— Levanta, Romeo! Cadê seu irmão?

— Hum?! Clara?

— Sim, sou eu. Cadê seu irmão? São seis da manhã ele não está na cama.

— Roger foi para casa do vovô Charles em New York e só volta no final de semana.

— Aquele garoto irresponsável! Nem para deixar um recado à moda antiga na porta da geladeira como eu sempre faço, mas vocês com essas tecnologias não querem mais escrever no papel.

— Desculpe, Clara! Mas ele deixou recado sim, eu que peguei.

— Ok! E já que te acordei, vou fazer o café da manhã.

— Está bem, Clara! Vou descer daqui a pouco.

Ainda com sono, mas com um dia longo pela frente, decidi levantar logo e fui direto tomar um banho para despertar. Desci para tomar café.

— Bom dia, Clara!

— Bom dia! Estou fazendo ovos com bacon.

— Ótimo! Vou te ajudar fazendo um suco de laranja.

Peguei umas laranjas na fruteira e preparei uma jarra de suco. Nós tomamos café e logo depois eu subi para o quarto. Clara foi fazer as tarefas de casa.

Ainda pensativo sobre o que Roger estava fazendo, eu entrei no quarto dele para ver se achava algo que pudesse esclarecer sobre seus planos e aquela arma estranha.

Entrei e olhei detalhadamente para tudo. Sob um lençol, vi o colchão cortado pela faca e o virei para o outro lado para esconder o corte, caso Clara entrasse aqui para arrumar seu quarto. Procurei por todos os lugares e quase embaixo da cama achei uma folha amassada que dizia:

 

Um presente deixado para aqueles que herdaram o poder.

 

Tentei imaginar o que isso significava. Suspeitei que poderia haver relação entre esse papel e aquele objeto que se transformou em uma arma que estava com o Roger. Isso me cheirava a encrenca.

— Preciso ir atrás dele e ajudá-lo.

Arrumei minha mochila, contudo não tinha o que falar para Clara.

Pensei em algo e desci.

— Clara, vou para casa de um amigo e só volto no final de semana.

— Vai fazer o quê na casa do seu amigo? — perguntou Clara, desconfiada.

— Vou aproveitar que já estou de férias e continuar com um projeto da escola que estamos fazendo para o último ano.

— Está bem, mas volte na sexta-feira. Seu pai estará voltando para casa. E Romeo! Vai almoçar, não? Já está quase pronto.

— Não, obrigado! Qualquer coisa entre em contato comigo. Tchau, Clara!

— Papai está voltando. Muito legal, mas ruim se eu não encontrar o Roger até lá — pensei.

Saindo de casa, eu encontrei com o Sr. Wood no portão. Ele me parou e perguntou:

— E aí, já fez as pazes com seu irmão?

Sem poder dizer a verdade eu disse:

— Sim.

— Ótimo! Irmãos devem se manter unidos. Só assim terão uma força maior.

Sem entender muito, respondi:

— Claro! E Sr. Wood, se me permite, preciso sair.

— Sim, mas só me faz um favor? Pode chamar seu irmão? Quero falar com ele.

Surpreso com a situação, pois o Sr. Wood nunca parou para falar com a gente, respondi:

— Ele não está em casa. Foi para casa do nosso avô em New York e só volta no final de semana.

— Hum! Entendo. Obrigado, Romeo!

— De nada, Sr. Wood!

Intrigado, me virei e segui caminho em busca do Roger e no terceiro passo ouço:

— Você não deveria ir atrás do seu irmão!

Assustado, parei e pensei:

— Impossível! Como será que ele sabe?

Olhei para trás e vi o Sr. Wood com um sorriso.

— Venha até minha casa e não precisa ter medo! Tenho coisas para conversar com você.

Sem opção, com muita curiosidade e assustado, fui até a casa dele.

Entrando e mexendo no meu Tab P, fui deixando preparado o acionamento à polícia, ativando minha localização. Apesar de já conhecer de vista o Sr. Wood, há um bom tempo, não podia deixar de me prevenir. Ele podia ser algum psicopata que estava nos observando faz tempo. Dentro da casa dele não parava de olhar para todos os lados. Era uma residência aconchegante e bem espaçosa.

— Espere aqui no sofá que vou trazer algo para a gente comer e beber.

Aguardei o Sr. Wood voltar e continuei olhando para todos os lados. Vi na mesa um porta-retrato antigo com uma foto dele e uns amigos fardados. Ele deveria ter sido fuzileiro naval. Apesar de parecer ter quase a mesma idade do meu pai, o seu físico parecia com o de um lutador de MMA. Dava até medo, mas quando olhava para seu rosto parecia inofensivo.

O Sr. Wood voltou da cozinha com uma jarra de suco de uva e vários aperitivos. No começo achei que era vinho, mas quando coloquei o copo na boca com a bebida, vi que realmente era suco. Havia hesitado de aceitar, mas não sei o que passou pela minha cabeça que, no fim, acabei aceitando.

— Aposto que há muitas perguntas circulando na sua cabeça? — disse o Sr. Wood.

Pensando cuidadosamente no que ia responder disse:

— Sim, realmente. O que o senhor sabe sobre Roger?

— Melhor perguntando… Sobre Roger e você? — disse Sr. Wood.

— Como assim?! O que o senhor sabe sobre nós e especialmente sobre mim? Nem sempre morei aqui.

— Sei de muitas coisas que você não precisar saber.

— Me responda!

— Acalme-se! Vou lhe esclarecer algumas coisas.

— Quero respostas!

— Você nervoso se parece com sua mãe.

— Hum?! Como assim? Conheceu minha mãe?

Essa conversa já estava começando a me deixar mais assustado do que já estava, mas curioso, perguntei:

— Como conheceu minha mãe? Me fale sobre ela. Meu pai nunca conversou comigo com detalhes a respeito dela.

— Realmente ele não falaria — disse o Sr. Wood, tirando o sorriso.

— Me fale dela.

— Não tenho muito para falar sobre sua mãe. Só posso lhe dizer que ela morreu no parto de vocês.

— Mas isso eu já sei.

— Romeo! Preste atenção no que tenho para lhe dizer. O que está acontecendo com o seu irmão realmente é uma coisa incrível e perigosa, mas ele tem que encontrar as respostas sozinho. Confie nele. Ele voltará para casa em segurança.

— Mas, Sr. Wood…

— Apenas confie nele. Vai dar tudo certo. Agora volte para casa e prossiga com suas tarefas.

Ainda assustado e surpreso com as revelações do Sr. Wood, decidi confiar no que ele disse, pois apesar de tudo, me sentia no fundo mais confortável por saber que outra pessoa sabia sobre o que o Roger estava passando e se preocupando com isso.

— Absurdo! O que eu estou dizendo para mim mesmo? Como posso confiar num homem que antes nunca havia falado comigo? Que segredos ele esconde? Como ele sabe que o Roger anda fazendo? Preciso de respostas! Vou atrás do meu irmão! — pensei, revoltado.

O Sr. Wood se levantou e eu o acompanhei até a porta, mas antes de sair, perguntei:

— O que o senhor sabe sobre aquela arma que está com meu…

— Vá, Romeo. Não se preocupe. Apenas confie.

— Tá ok, Sr. Wood. Obrigado e até mais!

Saí e segui de volta para casa quando o Sr. Wood disse:

— Romeo! Só mais uma coisa. Pode me chamar de Rougan.

— Esse é seu primeiro nome? Rougan. Rougan Wood.

— Isso, Romeo, e não se esqueça: confie e boa tarde!

Em pensamento respondi:

— Confiar? Em quem? Nele ou no meu irmão? Com certeza não é nele.

Fiquei sentado, na praça perto de casa, por horas pensando em mil coisas. Tomei uma decisão.

Disposto a ir atrás do Roger, segui caminho. Passei pela minha casa, mas de repente ouvi um alerta de mensagem. Peguei meu Tab P e vi uma mensagem do meu irmão.

— Como pode?! Ele nunca me mandou mensagem — pensei, confuso.

Abri e para minha surpresa:

 

Está tudo bem. Logo mais entraremos em contato.

[5:31 PM]

 

Fiquei mais surpreso.

— Roger?! Será que está tudo bem mesmo?

Queria ligar ou responder à mensagem, mas não sabia o que dizer?

Parado por quase dois minutos pensativo, decidi confiar no meu irmão e ver que rumo as coisas tomariam. Já era fim de tarde e voltei para casa.

Nossa!

Como o tempo passou rápido. Mais uma quarta-feira foi embora e nem percebi. Entrei e lá estava Clara preparando algo para ela comer.

— O que houve, Romeo? Você não ia ficar na casa do seu amigo?

Não me agradava mentir, mas respondi:

— Meu amigo teve que ir para casa da sua avó com os pais.

— Hum! Que pena! Então vou preparar algo especial para você.

— Obrigado, Clara! Vou subir, tomar um banho e já desço.

Fui até o meu quarto, peguei umas roupas limpas e fui tomar banho. No chuveiro, ainda muito pensativo com tudo que o Sr. Wood havia me dito e no que o Roger poderia estar fazendo, acabei demorando muito no banho. Me vesti e desci.

— O que houve, Romeo? Por que está com essa cara de triste?

— Nada, só estou cansado. Me esculpe pela demora.

— Que nada. Coma e vá descansar.

— Obrigado, Clara!

Terminei e subi para o meu quarto. Me deitei ainda muito pensativo e o que mais me incomodava era o fato do Sr. Wood ter mencionado a mamãe.

Muitas perguntas embaralhavam minha mente e nada se encaixava. Fiquei pensando em como ia vasculhar a vida do Sr. Wood e descobrir alguma coisa que respondesse minhas perguntas, mas por um instante quase todo meu pensamento se apagou e a única coisa que minha mente passou a processar foi Desirée.

— Como será que ela está? — pensei alto.

Com o pensamento nela, meus olhos começaram a  se   fechar      e…

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OS IRMÃOS DO GELO | CAPÍTULO 1

CAPÍTULO

1

E TUDO MUDA

ROGER

Olhei para o céu noturno e vi muitas estrelas brilhantes. Um floco de neve caiu na minha testa.

— Como era possível se estávamos em pleno verão? — pensei, inconformado.

Olhei para meus pés e vi que estavam cobertos de neve. Não sentia frio, mas meu corpo estava imóvel, como se estivesse totalmente congelado. Tentei desesperadamente me mexer. Caí com o corpo ereto. Uma voz bem de longe tentava me dizer algo. Me esforcei para tentar entender.

— Levanta, ROGER! O CAFÉ ESTÁ NA MESA! — gritou Clara.

Droga! Não ouvi meu DS-Tab Phone despertando de novo!

Levantei assustado e lembrei que tinha prova de História. Me arrumei às pressas e desci as escadas pulando de quatro em quatro degraus. Cheguei à cozinha e lá estava meu irmão sentado à mesa e Clara terminando de pôr o café.

— LEVANTA, ROGER! O CAFÉ ESTÁ NA MESA! — gritou Clara, novamente.

— Eu já estou de pé. Bom dia, Clara! E bom dia! — disse, olhando para meu irmão.

Ele me ignorou, levantou e saiu sem terminar seu café. Romeo não falava comigo há uns meses. Desde que ele chegou vivemos nos desentendendo. Talvez a raiva dele seja porque eu tive tudo desde o começo e ele não teve o mesmo privilégio. Aqueles cabelos loiros, olhos azuis sérios, sempre se achando mais bonito do que eu.

— Convencido! — pensei.

Eu que era mais bonito e mais inteligente, mesmo nós sendo gêmeos, mas esses não seriam motivos para não me dirigir à palavra, a não ser pelo fato da mamãe…

— Roger, vá logo, está atrasado! — disse Clara.

— Já estou indo!

— E mais uma coisa: amanhã eu…

— Ok, fui!

Morávamos na Philadelphia, Pennsylvania. Durante a semana eu fazia o mesmo percurso pela manhã. Caminhava alguns quarteirões até à escola, quase sempre atrasado. Tentei passar despercebido, mas…

— Sr. Stan, está atrasado mais uma vez.

— Eu sei Sr. T. Me desculpe.

— Sem desculpas! Se chegar mais uma vez atrasado essa semana, terá muitas atividades extras nas férias de verão.

O Sr. T. era o monitor de alunos da escola. Ele era muito obcecado pelo trabalho e tinha uma careca que refletia a luz do sol em nosso rosto. Além disso, seu olhar sério e desconfiado deixava com medo as pessoas que passavam por ele, mas achava que isso era frustração por não conseguir realizar seu sonho de ter uma banda de rock.

Assim que entrei na sala de aula, a professora interrompeu o que explicava no quadro digital. Todos os alunos pararam e dirigiram seus olhares para mim, menos meu irmão que continuou concentrado nos comentários sobre a prova que seria aplicada, que estava na imensa tela digital.

— Roger, pegue na mesa seu DS-Tab SchoolBook para realizar sua prova e sente-se! Vou terminar de passar as instruções para realização da avaliação e vocês terão quarenta minutos para terminar. Dúvidas? Fechem seus olhos e consultem a Deus!

A professora Sonia Carter era louca, na minha opinião. Com aquele cabelo preto escorrido e aquela franja dos anos 90. Ela devia se achar muito engraçada com suas piadas sem graça, mas não podia mentir, pois tirando suas loucuras e aparência, ela era uma excelente professora. Peguei o DS-Tab SB, olhei para prova e falei comigo mesmo.

— Dessa vez não vou me safar.

Meu irmão em dez minutos se levantou, entregou o Tab SB com a prova toda respondida e saiu.

— Como sempre ele se achando o sabe tudo — pensei, indignado.

Romeo sempre tirava as notas mais altas da turma.

— Atenção! O tempo está acabando.

— O quê? — imaginei.

Uma mensagem enorme surgiu no Tab SB notificando que havia acabado o tempo, me impedindo de continuar. Mal tinha respondido metade da prova. A professora Sonia pegou o Tab SB da minha mesa e riu do meu olhar de desespero. Fui o último a sair.

Fazia muito calor e resolvi parar em algum lugar para tomar algo bem gelado. Atravessei para o outro lado da rua e parei numa lanchonete. Pedi um milkshake de napolitano e fui andando de volta para casa. Tinha que estudar para a prova do dia seguinte e não voltar a fazer a mesma vergonha, deixando questões em branco. Minha vontade na verdade era de sair com os amigos para esquecer os problemas e responsabilidades, mas algo me dizia que tinha que ir para casa.

No caminho passou um carro preto bem devagar do meu lado e quando fui olhar para tentar ver através dos vidros escuros o motorista, ele pisou no acelerador e virou na esquina logo à frente. Achei meio estranho a atitude dele, mas continuei saboreando meu milkshake.

Chegando à porta de casa escutei um grito raivoso.

— ROGERRR!

Reconhecendo a voz e me lembrando do dia anterior, me virei e deparei com um olhar de fúria, mas ao mesmo tempo, um olhar que enfeitiçava qualquer marinheiro em alto mar, convidando-o a pular, mesmo que não soubesse nadar.

— O que houve? Esqueceu do que faríamos hoje?

— Não, meu anjo! Só me distraí com o péssimo dia que tive até agora — disse, tentando me desculpar e lembrar o que tinha que fazer com ela.

— Cadê seu Tab Phone? Liguei várias vezes, mandei várias mensagens e você nada de responder.

— Esqueci em casa. Acordei atrasado, você sabe como eu sou.

Mesmo Desirée furiosa comigo, eu não conseguia achá-la chata. Ela sempre me encantava com os seus olhos castanhos brilhantes e sedutores, seus cabelos encaracolados e leves como seda e sua pele morena e macia.

— Me dá esse milkshake, Roger! Vamos fazer o que tínhamos planejado!

Ela pegou o milkshake com uma das mãos e com a outra a minha mão. Seguimos um caminho sem que eu soubesse aonde nos levaria. Esperava lembrar antes de chegar aonde quer que fosse. No caminho encontramos com meu irmão em sentido contrário.

— Oi, Romeo! — disse Desirée.

— Oi, Desirée! — respondeu Romeo, sem graça.

Ele seguiu em disparada no sentido de casa e nós prosseguimos para o combinado. Chegamos a uma rua bem movimentada, cheias de lojas de roupas, brinquedos e restaurantes.

Logo à frente entramos numa cheia de joias, brincos de ouro e colares com pedras de diamantes. Desirée se aproximou da vitrine de alianças e logo minha memória foi voltando. Há quatro meses eu havia prometido a ela que um dia antes do seu aniversário compraria alianças, para que no seu dia a gente noivasse e, depois de dois anos, casaríamos. Eu devia estar louco quando disse isso para ela. Tínhamos apenas dezessete anos e nem havíamos entrado para a faculdade ainda. Havia muitas coisas que eu queria fazer antes. Curtir mais a vida sem assumir tantas responsabilidades.

Por um momento achei que ela havia me enfeitiçado só para aceitar tudo isso. Era uma situação complicada, mas não podia me esquecer.

— Amanhã é o aniversário dela — disse para mim mesmo, em pensamento, por várias vezes.

— Amor, é esse que eu quero — disse Desirée, animada.

— Tem certeza?

— Sim, com total certeza!

Eu, sem muita alternativa, comprei as alianças. Gastei metade das economias que estava reservando para curtir as férias de verão. Só de imaginar o quanto ela estava feliz, me doía o coração por não estar sentindo o mesmo.

Saímos da loja e seguimos de volta para casa. Eu ainda tinha que estudar, já que pretendia proporcionar uma vida confortável para Desirée no futuro. Parei novamente na mesma lanchonete, comprei mais um milkshake para ela e seguimos o caminho. Já perto de casa, muito pensativo, parei e disse:

— Desirée, espere!

— O que foi, Roger?

— Será que podemos dar um tempo para eu me preparar melhor?

— O quê?! — reclamou Desirée. — O que você quer dizer com isso?

— É que… acho que não estou preparado para assumir tantas responsabilidades.

— Você disse que seria amanhã! Me prometeu! Disse que era o que mais queria!

— Sim, meu anjo, só que…

Desirée jogou as alianças no chão e saiu correndo chorando. Eu, sem muita reação, peguei os anéis e fiquei observando-a correr sem ter coragem de ir atrás. Apertei as alianças com força, coloquei no bolso e fui para casa. Segui o meu caminho e quase na porta de casa, me deparei com Romeo me olhando furioso. Ele colocou a mão no meu peito.

— Você disse que iria se casar com ela!

— O que você tem a ver com minha vida? Não se intrometa, saia da minha frente!

— Deixe de ser irresponsável! Não a trate como seu brinquedo!

Romeo agarrou minha blusa e caímos no chão aos socos, mas logo um homem se aproximou e nos separou. Ele nos arrastou para porta de casa e tocou a campainha. Depois de alguns segundos:

— Com licença! Senhorita…?

— Clara. Como posso ajudar? — respondeu ela, assustada, olhando pra mim e meu irmão.

— Desculpe incomodar, sou vizinho de vocês e quando estava chegando vi esses dois se desentendendo na porta de casa.

— Romeo e Roger! Entrem agora! E… me desculpe o transtorno, senhor…?

— Wood.

— Obrigado, Sr. Wood!

— De nada. Até!

O Sr. Wood foi para sua casa. Clara fechou a porta, lançou um olhar severo em nossa direção e disse:

— O almoço está quase pronto. Vão tomar banho e venham almoçar.

Sem questionar muito, fomos e logo voltamos para comer. Sentei à mesa com Romeo, algo que dificilmente acontecia, e iniciamos nossa refeição que procedeu toda em silêncio.

No término do almoço meu irmão subiu para o seu quarto e eu fui para o meu. Mesmo sendo irmãos e gêmeos tínhamos quartos separados. Nunca entendia qual era a dele.

— Será que ele tinha ciúmes de sermos gêmeos e eu ser mais bonito que ele? — me questionava.

Deixei para lá e fui estudar. Peguei meu DS-Tab HomeBook e passei a tarde tentando revisar a matéria, mas estava difícil de me concentrar, algo me incomodava. Peguei meu DI-EyesÓculos de Realidade Aumentada” e tentei estudar de uma maneira mais interativa, mas logo abri um jogo e as horas passaram rapidamente.

No fim da tarde, já cansado de jogar, parei e olhei pela janela do quarto para ver o tempo. Ouvi um toque de mensagem. Pensei que era Desirée, mas quando vi, era uma mensagem de alguém não identificado que dizia.

 

Vá à caixa de correio.

[5:55 PM]

 

Fui até a janela e vi que na caixa de correio havia algo. Fiquei desconfiado e assustado. Desci correndo e fui até lá para ver o que era.

— Um pacote? Quem será que o deixou aqui? — pensei, curioso.

Não poderia ser o correio, pois não tinha identificação, selo, nada que mostrasse ser uma entrega. Olhei para o alto para ver se via algum drone de entrega, mas não vi nada. Entrei com o pacote e fui até a cozinha beber água.

— Ei, Roger! Se eu souber que você e seu irmão brigaram mais uma vez, vou ligar para seu pai.

— Está bem, Clara!

— Seu pai está viajando a trabalho. Quer deixar ele furioso e preocupado?

— Não.

— E vem comer. Já vou pôr a mesa.

— Não quero, vou estudar.

Peguei o pacote do correio, uns biscoitos escondidos e subi para o meu quarto. Quando estava subindo, Romeo estava descendo para comer como se fosse um menino bonzinho.

Chato! Ao passar por mim pelas escadas, esbarrei de ombro com ele e foi como se passasse cento e dez volts no meu corpo. Ambos olhamos um para o outro, mas ignoramos o que aconteceu. Segui até o quarto, coloquei o pacote sobre a mesa e puxei uma cadeira para me sentar.

— O que será que tem dentro? Será uma bomba?

Eu devia estar louco por trazer isso para dentro de casa, mas cansado por ter tido uma segunda-feira agitada e era só o início da semana ainda, não me importei com o que poderia acontecer e abri o pacote.

Era uma caixa de madeira. Com o coração acelerado cuidadosamente abri a tampa e olhei para dentro. Havia uma foto. Um homem fardado.

— Quem será ele? Me lembra alguém — pensei, sem entender nada. — Será que foi ele que deixou essa caixa aqui?

Coloquei a foto sobre a mesa e olhei de novo para dentro da caixa. Tinha algo parecido com um…

Chaveiro?!

Analisei cuidadosamente o objeto. Tinha a forma de cubo de gelo. Achei bonito e suspeito.

Estranhamente o objeto começou a ficar gelado. Larguei ele na mesa ao lado da foto e olhei para caixa e ver se tinha mais alguma coisa. Bem no fundo tinha um papel dobrado. Peguei e nele havia algo escrito.

 

Um presente deixado para aqueles que herdaram o poder.

 

— Quem foi o louco que escreveu essas coisas? Será que foi o cara da foto?

Não liguei, pois tinha que estudar. No dia seguinte ainda teria prova.

Me lembrei do que havia acontecido entre mim e a Desirée. Esperei ela mandar alguma mensagem o dia todo, mas nem um emoji havia recebido. Deitado na cama, mais uma vez tentei estudar, mas logo parei. Comecei a acessar as redes sociais, ver alguns vídeos engraçados, comer uns biscoitos e jogar novamente o mesmo jogo de antes. Olhei para o relógio e já eram mais de onze da noite. Desesperadamente levantei, peguei o DS-Tab HB, abri a matéria de Química e comecei a ler.

— Capítulo 29. Ciclos biogeoquímicos. Os elementos químicos circulam na natureza ora participaannddooo de mo lé   cu

Estava ficando frio e cada vez mais frio, mas era agradável para mim.

— Romeo? O que você quer comigo? Eu não vou atrás de você!

De repente meu corpo parou de se mexer. Surgiu um espelho à minha frente e eu me via congelado. Não sentia dor. No reflexo, via Romeo e tentava chamá-lo, mas não conseguia falar. Desirée apareceu ao lado dele e os dois começaram a desaparecer.

— Estou sozinho! — disse, assustado.

O espelho sumiu e na minha frente, a uma pequena distância, via alguém. Não consegui ver quem era. Estava tentando me dizer algo, mas eu não escutava. Me esforcei para poder tentar entender.

— ROGERRR! O CAFÉ ESTÁ NA MESA.

Droga! Estava atrasado de novo. Maldito Tab P que não escuto despertando. Precisava de uma AI decente. Levantei desesperado, me aprontei em segundos, desci as escadas em dois pulos e na cozinha Clara já estava terminando de aprontar meu café.

— Pegue, Roger! E vá embora! Tome o café no caminho!

— Obrigado! Até!

Fui correndo para a escola torcendo para não encontrar o Sr. T. Cheguei, entrei como ninja e quase entrando na sala…

— Sr. Stan! Atrasado mais uma vez? Nem preciso dizer o que vai acontecer…

— Mas, Sr. T., hoje é o último dia e última prova.

— Realmente, bem lembrado. Então terá muitas atividades extracurriculares para fazer nas férias de verão.

— Mas, Sr. T…

— Sem mais! Vá para sua sala!

— Sim, Sr. T.

Entrei na sala e a prova já havia começado. Peguei o Tab SB na mesa, me sentei e logo em seguida Romeo se levantou, entregou o seu Tab SB com a prova toda respondida e saiu.

— Chato!

Como sempre se sentindo o cara. Tentei me concentrar e comecei respondendo algumas questões, mas fui interrompido pela professora:

— Por pouco você não perde a prova. Vai precisar de sorte!

Olhei para a professora Elizabeth Collins e me mantive calado imaginando as diversas respostas que poderia ter dado. Até que eu estava confiante. De alguma forma eu sabia as respostas. Não sabia o porquê. Achei que era por causa de um jogo de aventura e enigmas que envolvia muito desses assuntos. Terminei, entreguei a prova e saí. Novamente fui o último, mas muito confiante. Saí da escola pensando em Desirée.

— Como será que ela está? — pensei, preocupado.

Eu fui muito duro com ela e devia ter sido mais maduro e responsável. Olhei meu Tab P para ver se tinha alguma chamada perdida ou mensagens dela, mas nada encontrei. Desirée me perturbava com muitas mensagens carinhosas, mas, desde o dia anterior que eu não recebia nada dela. Precisava entrar em contato, ao menos enviar uma mensagem de parabéns, pois afinal hoje era o aniversário dela. Estava muito envergonhado com o que tinha feito ontem e não tinha coragem nem de mandar um simples emoji.

Caminhei para casa com uma cara de desânimo, como se tivesse trabalhado a semana toda para a apresentação de um projeto e que no final deu tudo errado. Ainda era terça-feira e amigos haviam me chamado para curtir o fim das provas. Eles sempre curtiam, não importava se era início ou fim de alguma coisa. O importante para eles era estar na moda e aproveitar a vida.

No caminho de volta novamente um carro preto passou por mim bem devagar, mas logo acelerou.

— Será que era o mesmo de ontem? — pensei.

Fiquei muito desconfiado e assustado. Imaginei se alguém estava tentando me sequestrar. Apertei o passo e fui para casa.

Ao chegar, notei algo estranho, não havia ninguém em casa.

— Estou cheio de fome, mas cadê a Clara?

Na porta da geladeira tinha um recado dela:

 

Meninos, fui para casa da minha mãe levar o seu remédio e volto só amanhã. Deixei comida no forno. É só esquentar. O que precisarem, me liguem.

 

Clara

 

Ela ainda cismava em escrever mensagens no papel. Seria bem mais prático enviar mensagem pelo Tab P.

— Fazer o que se Clara resiste a tecnologia? — pensei, inconformado.

Ainda era cedo para almoçar. Peguei um pacote de biscoito e fui para o quarto. Liguei o DS-Tab TV de 55” na parede para ver um filme ou série, mas ao mesmo tempo liguei meu DI-Eyes para jogar. No Tab TV estava passando noticiário, mas eu estava vidrado no jogo que estava quase finalizando. A fome começou a bater. Quando fui verificar as horas, vi que já era mais de meio-dia. Olhei para o pacote de biscoito que não tinha aberto, mas decidi descer e pegar o almoço para me alimentar melhor.

Esquentei a comida e subi para o meu quarto novamente. Enquanto comia observava o chaveiro em forma de cubo de gelo que parecia nunca derreter em cima da mesa. Várias coisas me vieram à mente. Lembrei da mensagem de origem desconhecida que recebi avisando dessa caixa no correio. Fiquei minutos tentando imaginar quem poderia ser o responsável por isso. Ninguém me vinha à mente. Essa situação já começava a me incomodar.

Terminei de almoçar, coloquei o Tab TV no mudo, que ainda passava repetidamente uma notícia sobre um incidente que aconteceu ontem, a uma base militar em Nevada, devido a um erro de exercício. Peguei o chaveiro e o olhei por minutos concentrado no silêncio do quarto, mas me assustei com o toque de uma chamada de voz do meu Tab P. Com o susto, deixei o chaveiro cair, mas nem me abaixei para pegar, porque fui correndo ver de quem era a chamada. Estava na esperança de ser Desirée, mas era:

— Vovô Charles!

Era uma surpresa, pois o vovô quase não entrava em contato com a gente. Eu fiquei segundos olhando o Tab P tentando imaginar porque ele estava ligando, mas logo em seguida toquei na tela e atendi:

— Olá! Vovô Charles, tudo bem com o senhor?

— Olá, Roger! Tudo bem, sim! Preciso que venha me ajudar com um trabalho. Você teria tempo?

— Sim, vovô. Com certeza! Mas que tipo de ajuda que o senhor quer?

— É só um trabalho que estou tendo dificuldade em realizar. Mandei para seu e-mail tudo que precisa para poder chegar até aqui em casa. Arrume suas coisas e venha. Obrigado!

— Ok, vovô! Mas uma pergunta: como o senhor conseguiu meu e-mail? O senhor não gosta desses meios de comunicação virtuais.

— Apenas venha e não se esqueça de trazer o gelo!

— Hã?! Mas de que o senhor está falando?

Quando percebi estava falando sozinho. Vovô Charles havia desligado e não ouviu minha pergunta.

— Será que o vovô estava falando do chaveiro? Será que foi ele que deixou a caixa no correio? Isso não seria possível — pensei, confuso.

Coisas estranhas estavam acontecendo e agora essa do vovô.

Peguei o chaveiro no chão e coloquei de volta na caixa de madeira em que ele veio. Peguei a foto do cara e o bilhete. Olhei por minutos a foto e reli a mensagem.

 

Um presente deixado para aqueles que herdaram o poder.

 

Estava tentando conectar os fatos, mas nada se encaixava. Tentei ser um Sherlock, mas não tinha jeito para isso. Coloquei a foto na caixa junto com o chaveiro e amassei o bilhete fazendo uma bola de papel. Mirei na lixeira bem no canto do quarto me imaginando como se estivesse numa partida de basquete tentando fazer uma cesta de três pontos. Mirei, mirei, arremessei e errei. Abaixei a cabeça de decepção e me joguei na cama.

Ouvi alguém entrando em casa. Imaginei que deveria ser o Romeo. Minha intuição se confirmou quando eu o vi pela minha porta que estava entreaberta. Ele entrou em seu quarto e bateu à dele. Levantei e fui arrumar minhas coisas para viajar. Peguei a foto e o chaveiro na caixa, os coloquei na cama e fui guardar na mochila minhas coisas.

Com tudo pronto, sentei na cama, peguei o chaveiro e fiquei imaginando se o vovô tinha alguma ligação com essas coisas. Comecei a lembrar da briga que tive com o idiota do meu irmão.

— Sempre se intrometendo na minha vida — pensei, indignado.

Por um segundo fiquei com muita raiva dele e de repente o chaveiro na minha mão começou a ficar realmente gelado. Me levantei assustado. O chaveiro começou a brilhar intensamente.

— O que é isso?!

O pequeno chaveiro se transformou em uma espécie de faca e seu formato de cubo de gelo ficou na ponta do cabo por onde segura. Sua lâmina parecia bem afiada, mas passando meu dedo sobre ela, cada vez com mais força, não me cortava e imaginei que talvez, ela fosse cega. Passei sua lâmina no colchão e ela cortou feito uma faca afiada cortando sushi.

Incrível! A faca liberava vapor, como se estivesse muito quente, mas na verdade estava gelada. Brinquei com ela como se fosse um espadachim, mas quando me dei conta vi que não estava brincando e que todos os movimentos que havia feito foram fantásticos, como se eu já soubesse manusear uma arma de combate corpo a corpo.

— O que está acontecendo comigo?

Larguei a faca em cima da cama assustado e logo depois ela voltou a se transformar num chaveiro em forma de cubo de gelo inofensivo. Mil coisas me vieram à mente, mas estava tão assustado que não conseguia processar nenhuma delas com coerência.

Decidi que tinha que descobrir o que estava acontecendo e alguma coisa me dizia que vovô poderia ter a resposta. Estava tão nervoso que peguei o meu Tab P da mochila e mandei uma mensagem para Desirée. Cuidadosamente peguei o chaveiro na cama, joguei na mochila e abri um lençol sobre o colchão. Apanhei a foto que havia caído no chão, coloquei na caixa, joguei no guarda-roupa e saí do quarto.

Peguei um pedaço de papel de um dos bloquinhos de recado da Clara, escrevi um bilhete e deixei na porta da geladeira. Já do lado de fora, ainda na porta de casa, respirei fundo tentando pôr na minha cabeça que tudo que estava acontecendo não eram coisas imaginárias da minha mente. Com meu Tab P na mão olhei para os lados e parti.

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OS IRMÃOS DO GELO | CAPÍTULO 0

CAPÍTULO

0

O INCIDENTE

 

Roswell, 02 de Julho de 1947

 

Kristopher foi apunhalado pelas costas, mas, mesmo muito ferido, se virou e atacou a criatura, atravessando a mesma, que se dissolveu em seu Ikihatsunukishi.

Ele percebeu que não ia aguentar muito e usou todas suas forças. O seu Ikihatsunukishi sofreu uma transformação ficando maior e muito mais poderoso. As criaturas restantes mais ágeis recuaram e sumiram na escuridão. As mais lentas não conseguiram se esquivar do ataque furioso e muito rápido dele. Ele ficou por um tempo esperando por mais ataques, mas só se ouvia o som dos grilos.

Kristopher lembrou da sua família e seguiu até onde eles poderiam estar. No meio do caminho, ele ficou com a visão turva, caiu de joelhos e começou a tossir muito sangue. Seu Ikihatsunukishi desativou. Quando tentou se levantar, sua visão apagou totalmente e ele caiu.

Um outro fazendeiro local apareceu e ficou assustado com o que viu. Ele saiu correndo dali e foi avisar ao xerife da região. Pouco tempo depois, viaturas militares chegaram ao local de combate.

Toda equipe se mobilizou para analisar o incidente. Eles ficaram confusos e alguns assustados com a situação. Um Major-General chegou minutos depois a área do confronto.

— Senhor. São muitos destroços.

— Ordene que recolham tudo — disse o Major-General Kerr.

— Sim, senhor! — respondeu o Capitão Hahn.

Ele coordenou a equipe de recolhimento dos destroços de um grande objeto não identificado. Dois oficiais médicos solicitaram a atenção do Major-General Kerr.

— Os ferimentos dele são…

— Identifique-o e o leve para a base — ordenou o Major-General interrompendo um dos oficiais médicos.

— Pelos documentos encontrados na residência próxima, ele se chama Kristopher — disse um Segundo-Tenente que estava ao lado dos médicos.

O Major-General chamou o Capitão Hahn:

— Isole toda a propriedade dele e recolham tudo também.

— Sim, senhor! Mas, senhor, temos um objeto que parece radioativo. Um cristal…

— Parece? Usem o Contador para terem certeza!

— Já usamos e não identificamos radiação, mas…

— Então, não é! Recolha tudo! E…

— Com licença, senhor! Desculpa interromper, mas…

— Mas o quê, Sargento?

— Temos um Xerife e um civil aqui!

O Major-General ignorou os seus subordinados e foi impaciente até os não autorizados.

— O que os militares fazem por…

— Me acompanhem! — ordenou o Major-General Kerr, irritado, interrompendo o xerife.

— Só queremos saber o que houve aqui — questionou o civil, fazendeiro local.

— Não vou pedir novamente — disse o Major-General Kerr, indo até uma viatura.

O xerife, para não contradizer, o acompanhou e pediu para o fazendeiro segui-lo. Eles entraram na viatura e uma conversa se iniciou.

Depois de um tempo, o Major-General saiu, e o xerife e o fazendeiro permaneceram. Ele foi até o Capitão Hahn.

— Senhor, me desculpe, mas são muitas coisas para recolhimento.

— Já acionei uma equipe de reforço. Temos que terminar essa missão antes do amanhecer.

 

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NAIRIN | CAPÍTULO 10

CAPÍTULO

10

DADOS PERDIDOS

— Ai! Não estou enxergando — disse Lillillah.

Vocês estão bem? — perguntou Mortrazha, sentindo dor.

— Onde vocês estão? — perguntou Maigriyah, assustada.

Ela tentou pegar algo na bolsa que sempre carregava para tentar iluminar o local, mas antes que achasse uma luz acendeu.

— O que nos empurrou? Afinal, o que aconteceu até agora? Estávamos na USaM e não me lembro como saí de lá — disse Drihee com o Ikihatsunukishi ativado.

— Não faz diferença! Você não se lembra de nada mesmo — disse Lillillah com sarcasmo.

Drihee direcionou um olhar chateado para ela. Quando Lillillah ia explicar pacientemente o que havia acontecido foi interrompida por Maigriyah.

— O que é isso? — perguntou ela se aproximando de algo que parecia uma porta feita de uma metal super resistente.

— O que será que tem do outro lado? — questionou Mortrazha, surpreso.

— Acho que posso derreter — disse Drihee, tentando se mostrar útil.

— NÃO! Vai aquecer o metal e aumentar a temperatura por aqui e nos cozinhar, sem contar que vai consumir o oxigênio que parece pouco e nos sufocar antes mesmo de nos fritar — disse Maigriyah.

Algo desceu a rampa.

— AHHH! — gritou Lillillah ativando o Ikihatsunukishi. — Cão inútil! O que faz aqui?

— Acho que foi ele que nos derrubou! — disse Mortrazha, olhando para o animal, desconfiado.

O cão Krittibrayah caminhou até umas pedras ao lado da porta de metal e atrás tinha algo. O animal apontou para essa direção e Maigriyah foi até ele para verificar o que era.

— Interessante! Deve ser por aqui que abrimos a porta — disse ela, pegando logo em seguida um objeto em sua bolsa.

Todos se aproximaram e ficaram observando Maigriyah tentando acessar um dispositivo.

— O que está fazendo? — perguntou Lillillah, curiosa.

— Estou tentando abrir a porta. Só pode ser por aqui…

De repente eles ouviram um estrondo e logo em seguida a porta se abriu. Luzes de dentro acenderam e por um pequeno intervalo de tempo a claridade os cegou.

Quando eles voltaram a enxergar, depararam-se com um lugar amplo que parecia…

— A biblioteca perdida! — disse Maigriyah, surpresa.

Eles entraram cautelosamente. Era uma biblioteca cheia de dispositivos antigos que armazenavam dados. Maigriyah foi até uma pilha deles que estava sobre uma mesa e quando pegou um, o mesmo esfarelou em sua mão.

— Nãooo! Devia ter uma raridade de dados armazenado — disse Maigriyah, desapontada.

— Essas coisas devem ter centenas de anos — disse Mortrazha, pensativo.

Maigriyah ficou analisando o local e viu um dispositivo de processamento que estava conectado à uma central de dados. Ela o alimentou com a energia do seu dispositivo de análise de dados portátil e conseguiu por um instante ligar o mesmo e ter acesso às informações. 

Era um padrão de dados muito antigo e pareciam corrompidos. Ela, com a esperança de poder recuperar as informações, começou a fazer uma cópia. Eram muitos dados e devido à ultrapassada tecnologia que os armazenava, ia demorar muito para fazer a cópia.

— Vocês estão com pressa? Estou fazendo uma cópia dos dados e deve demorar um pouco — disse Maigriyah, afoita com o que poderia descobrir.

— Esse local está mais para uma fortaleza do que para uma biblioteca — comentou Mortrazha, analisando minuciosamente o ambiente.

Computador! — disse Drihee.

— Hã? O que é isso? — perguntou Lillillah.

— Não sei. Estou tentando lembrar, mas não consigo — disse Drihee, confuso.

Lillillah o encarou tentando imaginar o que se passava na cabeça dele. Eles desativaram os Ikihatsunukishi e ela aproveitou para explicar o que havia acontecido desde quando ele apagou na USaM. Depois de um tempo.

— Não! Não! Nãooo! — disse Maigriyah.

Todos os dispositivos de dados e processamento entraram em curto. Por um pequeno intervalo de tempo, Maigriyah conseguiu desconectar o seu dispositivo portátil e evitar que o mesmo fosse danificado.

— Não sou uma menina de sorte — disse Maigriyah, desapontada. 

— O que houve? Achei que tudo ia pegar fogo — questionou Mortrazha, preocupado.

— Não sei! Acho que muita informação foi perdida, mas vou tentar restaurar o que consegui copiar. Vou enviar alguns dados para meu pai me ajudar na recuperação e análise.

Maigriyah tentava entrar em contato com o pai, mas não obtinha resposta.

— Por que não consigo? Estranho! Será que o sinal não está chegando? — questionou ela.

Maigriyah verificou se algo impedia o comunicador dela de entrar em contato com o pai, mas o sinal estava normal.

— Será que aconteceu algo com ele? Preciso…

— O que houve? Para onde vai? — perguntou Lillillah.

— Precisamos sair daqui. Aqui não conseguirei restaurar os dados completamente — disse Maigriyah, agitada.

— Como sairemos daqui? — questionou Mortrazha.

Maigriyah demorou a responder e ficou analisando o local.

— Como sairemos? — perguntou Lillillah, desconfiada.

— Acho que por aqui — disse Maigriyah, mexendo em um dispositivo que parecia controlar uma porta de saída de emergência. — Que sorte! Está com energia. 

Uma pequena porta se abriu e deu acesso a uma escada em espiral. 

— Vamos! Vamos subir e sair daqui!

Mortrazha se aproximou e olhou para o alto.

— Não tem saída.

— Analisei o mapa da saída de emergência. Logo acima tem um bloqueio de acesso, mas é fácil abrir. Conforme subirmos, vamos passar por mais três bloqueios. Vamos! — disse Maigriyah, nervosa.

Lillillah foi logo atrás de Mortrazha. Quando Drihee ia entrar também o cão Krittibrayah avançou nele. Ele correu para o lado e ativou o seu Ikihatsunukishi. O animal pulou em cima do garoto e o derrubou. Drihee se defendia de ser mordido colocando na boca do cão Krittibrayah a barra da sua lança. Lillillah voltou, ativou o dela e atacou o animal. O cão Krittibrayah foi perfurado e se afastou. O mesmo sofreu uma transformação para uma criatura bípede. Antes dela se transformar por completo, Drihee com raiva, lançou uma rajada de fogo e a incinerou.

Depois do ataque, só restara um pequeno cristal alaranjado, que logo em seguida virou pó. Lillillah e Drihee trocaram olhares, preocupados.

— O que foi isso? — perguntou Mortrazha, assustado.

— Nada! Vamos! — disse Lillillah, olhando para todos os lados.

— Como nada? Por que aquele cão atacou? — questionou Mortrazha, confuso.

— Não tenho certeza, mas aquilo não parecia ser o que era — comentou Drihee, pensativo.

— Como assim? — questionou Mortrazha.

— O que estão esperando? Por que não subiram? Já liberei o primeiro bloqueio — disse Maigriyah.

Todos olharam para ela ao mesmo tempo. Lillillah e Drihee desativaram seus Ikihatsunukishi.

— Por que essa expressão? Aconteceu alguma coisa?

— Aquele cão Krittibrayah! Ele atacou Drihee, mas já nos livramos deles — disse Lillillah, caminhando até as escadas. — Vamos!

— Compreendo! Até achei estranho ele ser dócil no início. Geralmente são ariscos com desconhecidos. Parecia que ele já foi treinado por alguém — disse Maigriyah, subindo.

Lillillah e o meninos trocaram olhares, confusos. Mortrazha ia questionar algo, mas hesitou. Maigriyah foi liberando os bloqueios sem dificuldade e eles saíram em um local de ruínas próximo de onde eles escorregaram.

— Cuidado, abaixem-se! — disse Mortrazha.

Ele avistou um robô drone analisando o local por onde eles entraram. O mesmo identificou a presença deles e se deslocou em alta velocidade em suas direções. Lillillah ativou novamente seu Ikihatsunukishi e esperou o robô drone chegar mais perto para atacar. Drihee também ativou o dele e ficou a postos.

— ESPEREEEEE! — gritou Maigriyah indo para a frente de Lillillah.

— SAIA DA FRENTE! — gritou Lillillah, irritada.

— É ADRITIFF! — gritou Maigriyah, olhando com raiva para Lillillah.

O robô drone se aproximou e disse:

— Que bom que encontrei vocês a tempo! Primeiro, Mortrazha entrou para lista de procurados da CENTRAL e eles estão vindo para capturá-lo. Vocês não têm muito tempo! Ele foi considerado um desertor da sua TERRA e eles pediram apoio à TERRA CENTRAL para pegá-lo.

— Como desertor? Eu solicitei afastamento temporário e foi deferido. O que está acontecendo? — questionou Mortrazha, preocupado.

— Estou tentando identificar o que aconteceu, mas acredito que descobriram sobre Ikihatsunukishisen ativos andando por aí. Acho que eles descobriram vocês — disse Adritiff pelo robô drone.

Lillillah e Drihee trocaram olhares, preocupados.

— O que faremos? Como fugiremos da CENTRAL? — perguntou Lillillah.

— Cadê Maigriyah? — questionou Drihee.

Ele olhou para trás e a viu correndo em direção ao local em que eles foram empurrados na rampa.

— O que ela está fazendo? — perguntou Lillillah, irritada.

— Eles estão chegando! Peguem a USaM e fujam.

— Não temos mais a USaM — disse Lillillah, desapontada.

— O quê? Como? O que houve com a USaM? Sem ela vocês não têm como escapar! — observou Adritiff.

Quando Lillillah ia explicar, Mortrazha a interrompeu.

— Não temos alternativas. Vão! Eu me viro e me explico com a CENTRAL. Em uma outra oportunidade nos encontraremos e continuo ajudando-os na busca.

— Não, não, não! Você vem com a gente — disse Lillillah.

— Ele está certo! Vocês não têm alternativas — disse Adritiff.

— O que ela está fazendo? Para onde está indo? — questionou Lillillah não acreditando no que estava vendo.

Maigriyah estava indo embora com a moto de levitação do Bilbroowh.

— Traidora! Ela vai ver quando eu encontrá-la! — disse Lillillah, furiosa.

Mortrazha ficou muito decepcionado com Maigriyah e por um instante tinha esquecido da situação em que estava.

— O tempo está acabando! — disse Adritiff, com a voz aflita.

— VÃOOOO! AGORAAAA! — gritou Mortrazha irritado, voltando à situação.

Drihee se assustou. Lillillah vendo que não tinha alternativas e para evitar que os Ikihatsunukishi caíssem em mãos erradas, desativou o dela, se aproximou de Mortrazha, pegou em sua mão e olhou nos olhos dele.

— Espero que fique tudo bem!

Mortrazha sorriu. Drihee desativou o seu Ikihatsunukishi, se aproximou dele e o abraçou.

— Boa sorte, meu amigo — disse Drihee que logo em seguida se afastou.

Mortrazha ficou surpreso com o comportamento do garoto, mas retribuiu com outro sorriso.

— Venham comigo — disse Adritiff pelo robô drone e guiando o mesmo para uma outra ruína de um edifício.

Eles se esconderam e ficaram observando Mortrazha.

— Fiquem parados. Vou camuflá-los da detecção de presença — disse Adritiff.

— Não acredito que ela nos traiu — resmungou Lillillah, revoltada.

— Ela deve ter tido seu motivo — disse Drihee.

Adritiff ia fazer um comentário, mas hesitou.

— Isso é inadmissível! Ela devia…

Lillillah parou de falar, depois que viu drones da TERRA CENTRAL chegando. Começaram a desembarcar Mitarcopx (Militares da Força Auxiliar da TERRA CENTRAL) e abordaram Mortrazha. Ele foi detido e conduzido até o maior dos drones que chegou. Os Mitarcopx  pareciam discutir algo.

— Eles vão nos achar — disse Lillillah, nervosa.

— É só não se mexerem. O meu robô drone está bloqueando o sinal de rastreamento deles — disse Adritiff.

Depois de pouco tempo os Mitarcopx foram embora. Eles esperaram mais um pouco, até acharem que  o local estava seguro, para saírem.

— O que faremos agora? — perguntou Drihee.

— O que faremos, Adritiff? — perguntou Lillillah.

— Algo–o-o es—tá erra—do! Tem al—guém…

— Adritiff? Adritff? — chamou Lillillah.

O robô drone desligou.

— O que será que houve? — questionou Lillillah.

Sem que eles percebessem, foram cercados pelos Hankyaters.

Se ativarem os Ikihatsunukishi serão neutralizados. Joguem eles no chão e coloque as mãos na cabeça — ordenou o Hankyater líder da equipe.

Lillillah e Drihee, sem alternativas, renderam-se e jogaram seus Ikihatsunukishi aos pés do líder. Eles foram conduzidos até o drone dos Hankyaters. O líder se afastou dos demais e entrou em contato com alguém.

— Parte do plano falhou, mas estou com os outros dois. Estou seguindo para o local orientado.

— Sim! No aguardo! Discutiremos depois sobre os demais.

— Afirmativo.

O Hankyater líder voltou a se aproximar do grupo e todos seguiram para o drone deles. Quando estavam chegando, perceberam que tinha um grupo apontando armas para eles. Um, que parecia ser o líder deste grupo, aproximou-se apontando sua arma para o líder do grupo que capturou os Ikihatsunukishisen e ordenou:

— Todos parados! 

— O que vocês fazem aqui? O que o grupo Hankyater HKY17VH faz nessa TERRA? Vocês não atuam nessa área — falou o líder Hankyater que capturou Lillillah e Drihee.

— Recebemos ordens para interceptá-los, grupo Hankyater HKY14VR. 

— De onde partiu essa ordem? Por qual motivo?

— Foi identificado um espião nesse grupo. Todos larguem suas armas ou vamos atirar para matar.

4,6
Rated 4.6 out of 5
4.6 out of 5 stars (based on 11 reviews)
Excelente64%
Muito bom36%
Média0%
Ruim0%
Muito ruim0%

Ótimo início.

Rated 5 out of 5
29 de outubro de 2022

Adorei como o autor escreve e como é dinâmico os acontecimentos do livro.

O primeiro capítulo ficou ótimo.

Sullivan

Bom Ate

Rated 4 out of 5
18 de agosto de 2020

Ate o Momento esta bem legal nao tenho costume de ler mas este esta me mantendo

Marcelo

Fácil

Rated 4 out of 5
17 de agosto de 2020

Muito fácil de ler e entender

Eudimar

CAPÍTULOS